Consórcio Guaicurus propõe fundo para financiar investimento no transporte coletivo

Apesar de aporte de R$ 2 milhão do poder público, empresa diz que precisa de recursos para investir e lucrar

CORREIO DO ESTADO / ANA CLARA SANTOS


Consórcio Guaicurus propõe fundo para financiar investimento no transporte coletivo - Gerson Oliveira/Correio do Estado

Mesmo com aportes pagos pela Prefeitura de Campo Grande e pelo governo de Mato Grosso do Sul, o gerente executivo do Consórcio Guaicurus, Robson Strengari, sugeriu que seja criado um fundo para a manutenção do transporte coletivo da Capital. 

De acordo com o Strengari, o auxílio de mais de R$ 2 milhões dados pela municipalidade e pelo governo não é suficiente para arcar com os custos, como o investimento na troca de veículos da frota. Dessa forma, seria preciso 'ser criativo para encontrar soluções', sendo que uma dessas propostas apresentadas é a criação do fundo. 

Conforme explicado pelo gerente, esse fundo teria a participação de diversas esferas da sociedade que contribuíram para a manutenção do sistema de transporte coletivo por meio de impostos que poderiam ser embutidos no Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) ou no Imposto Sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA). 

Em outras palavras, Strengari propôs que o transporte seja financiado coletivamente, inclusive com a participação dos motoristas de aplicativo, que pagariam uma taxa pelo uso do solo. 

“No caso dos aplicativos tem cidades que cobram um valor porque eles não geram receita para o município. Tem cidade que inclui isso no IPTU, no IPVA', defende. 

Outra solução apresentada pelo representante do Consórcio é criar um imposto que seria dividido entre os domicílios da cidade. Nesta proposta, até quem não usa o ônibus circular iria contribuir com o financiamento do transporte. 

“Queremos que a tarifa do ônibus não caia apenas sobre o passageiro pagante', frisa. 

Durante a reunião da Comissão Permanente de Mobilidade Urbana da Câmara Municipal, na manhã desta quarta-feira (6), o gerente executivo explicou que os valores pagos pelo Poder Público apenas ajudam a congelar a tarifa. 

“O aporte não é suficiente para arcar com os custos. Hoje a tarifa é de R$ 4,40 e, em novembro, deveria ser de R$ 5,15, mas isso não vai acontecer. Com 3 milhões de passageiros e a tarifa nesse valor não fechamos as contas', explica. 

Ao Correio do Estado, Strengari ainda lembrou que a Prefeitura vai pagar com R$ 1 milhão apenas a partir de julho porque, até então, o valor era vinculado ao número de alunos isentos da passagem e não chegava a essa quantia. 

Por sua vez, o governo de MS depositou a primeira parcela do aporte de R$ 1,2 milhão no dia 30 de julho. Assim como na municipalidade, esse auxílio corresponde à isenção dos alunos, pessoas com deficiência e idosos no transporte coletivo. 

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