Bolsonaro diz que Guedes fica no ministério em um eventual segundo mandato

Ministro da Economia tem sido criticado por aliados do governo por não tomar medidas para conter a disparada no preço dos combustíveis. Bolsonaro afirmou que Guedes deve apresentar alguma medida nesse sentido nesta semana.

G1 / GUILHERME MAZUI, G1


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O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que o ministro da Economia, Paulo Guedes, ficará no cargo em um eventual segundo mandato.

Em entrevista ao canal Agro +, Bolsonaro foi questionado se manterá o ministro. O presidente citou pressões que às vezes sofre para demitir Guedes, mas ressaltou que prefere conversar com o ministro para resolver eventuais problemas a tirá-lo do cargo.

Guedes vem sendo criticado dentro da ala mais política do governo pela falta de ação da Economia para amenizar a inflação no país, em especial a disparada no preço dos combustíveis. Na avaliação de bolsonaristas fiéis, isso pode impulsionar a candidatura do rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na entrevista, Bolsonaro disse ainda que "de vez em quando" percebe Guedes "cansado", o que, na visão do presidente, é natural.

“Com toda a certeza, sim [Guedes fica no governo em um eventual segundo mandato]. Depende dele. Eu vejo ele de vez em quando cansado, o que é natural. É um ministro [o da Fazenda] que, no passado, era muito trocado na Economia. De vez em quando, alguns querem que eu troque ele, entre outros, para resolver certos assuntos. Eu prefiro conversar com eles e, dentro daquela lealdade mútua que nós temos, mudarmos alguma coisa e prosseguir nessa luta", disse Bolsonaro.

O presidente afirmou ainda que, nos próximos dias, Guedes deve apresentar uma solução para conter a alta no preço dos combustíveis.

"O Paulo Guedes, espero que nos próximos dias, resolva a questão dos combustíveis no tocante aos impostos pelo Brasil. Ele já se demonstrou favorável a isso, tem trabalhado. Espero que nos próximos dias, nesta semana mesmo, tenhamos uma boa notícia sobre preço dos combustíveis no Brasil', afirmou o presidente.

Petrobras

Bolsonaro tem vivido atritos com a Petrobras, ao acusar a empresa de não tomar ações para evitar a escalada dos preços. A Petrobras afirma que, por lei, é obrigada a praticar os preços internacionais dos combustíveis. Por isso, se o petróleo subir no exterior, o preço de combustíveis no mercado interno tem que subir também.

Na tentativa de mudar a postura da empresa, Bolsonaro já trocou dois presidente da estatal nas últimas semanas (a União é a principal acionista). Ele também mudou o ministro de Minas e Energia.

"A Petrobras, estamos tentando mudar. Mudou o ministro de Minas e Energia, que quer mudar agora também toda a [diretoria] da Petrobras, mas há uma dificuldade, tem reunião de conselho, uma burocracia enorme, e demora isso daí. Espero que até lá não haja um novo aumento de combustíveis. Eu não tenho participação no aumento no preço dos combustíveis, por mim ele não aumentaria. Os lucros já são exagerados por parte da Petrobras", disse o presidente.

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