Ana Maria e Claudia Leitte expõem extremos na TV


Com a presença do padre Júlio Lancelotti, da apresentadora Ana Maria Braga, da cantora Claudia Leitte e da atriz Deborah Secco, o "Altas Horas" deste sábado (22) foi carregado de emoção. Provocados pelo apresentador Serginho Groisman, os convidados mostraram diferentes formas de manifestar "indignação" com o momento do país. Defensor dos moradores de rua, o missionário falou sobre a situação de miséria e dor que vê em São Paulo e pediu mais solidariedade. "A solidariedade não é uma dimensão religiosa. É uma dimensão humana. Os ateus também são solidários. Aliás, a gente está vendo que, no Brasil, o discurso religioso às vezes fomenta ódio, e não solidariedade", disse o padre.

Serginho Groisman lembrou de uma ação recente em que padre Júlio, com uma marreta nas mãos, ajudou a quebrar pedras que foram colocadas pela Prefeitura de São Paulo embaixo de um viaduto, com o objetivo de impedir a pernoite de moradores de rua. O apresentador pediu que ele falasse sobre este seu momento de "indignação". O missionário respondeu: "Não que eu queira que eles fiquem embaixo do viaduto. O que nós queremos é que eles possam ter locação social, um lugar para morar. Quem quer dormir na rua molhado? Quantos deles vêm dizer pra mim: 'Padre, o cobertor ficou todo molhado'. Desmancha, tem urina de animais. É uma situação muito difícil o desprezo, a indiferença. O que a Ana Maria falou é muito importante. Que ninguém seja indiferente".

Na sequência, Serginho elogiou Ana Maria pela forma como ela tem se dirigido aos espectadores, olhando no olho. A apresentadora do "Mais Você" se lembrou do comentário que fez em janeiro ao saber que o governo federal gastou R$ 15,6 milhões com leite condensado em 2020.

"Acho que eu ando falando muito e bem. Porque a gente não pode ficar quieta com a responsabilidade que a gente tem. Num veículo de comunicação que fala com tanta gente, eu não posso ouvir dizer que se gastou milhões com compra de leite condensado. Então, eu brinquei e falei: vou ensinar a fazer leite condensado em casa. E vou dizer quanto custa: custa R$ 6 fazer um pote em casa de leite condensado. E dei a receita. Quer dizer, não preciso fazer um grande discurso. Pequenas ações representam a tua indignação.".

Serginho emendou a fala com uma pergunta para a cantora: "Claudinha, qual é a tua indignação?" E a resposta, muito vazia, evitando qualquer tipo de comprometimento, chamou a atenção: "A minha indignação? Eu tenho um coração pacificador. Eu me indigno, sou capaz de virar tudo pelo avesso, chutar as barracas, mas eu acho que todo mundo tem um lugar onde pode brilhar uma luz para desfazer o que está acontecendo. E se essa luz se acende, obviamente, não vai ter escuridão."

Na sequência, o apresentador perguntou: "Deborah, o que te deixa indignada hoje?" A atriz esboçou uma resposta, que pode ter soado como resposta a Claudia Leitte, levando Ana Maria a se envolver na conversa também:

Deborah: "O que me indigna mesmo é a gente normalizar as piores coisas e seguir adiante como se 'tudo bem, é isso mesmo'. Não é isso mesmo. Isso não pode continuar sendo isso mesmo. As coisas têm que mudar."

Ana Maria: "Por exemplo, a falta de vacinas que hoje o Brasil passa. A gente não pode achar isso normal."

Deborah: "A falta de vacinas. Muitas coisas."

Ana Maria: "Você tem países na Europa que começaram a vacinação seriamente. Não é por que tem menos gente e mais gente aqui. Isso não justifica".

Serginho: "E os Estados Unidos."

Ana Maria: "E a gente não tem as vacinas para vacinar todo mundo. Os motivos, todo mundo conhece. É só ligar o telejornal. Não pode se normalizar isso. A gente tem que indignar, sim."

Deborah: "É um todo, né? São os meninos que desapareceram e ninguém sabe onde estão. É um psicopata que mata gays no Sul e a gente mal fala sobre isso. É tanta coisa ruim acontecendo e a gente vai seguindo."

Claudia Leitte permaneceu em silêncio.