Oferta apertada eleva custo do gado no Brasil para nível recorde | Brasilagro

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Oferta apertada eleva custo do gado no Brasil para nível recorde

Legenda: Em 2020, o abate de bovinos do Brasil caiu 8% em relação ao ano anterior (Imagem: Unsplash/@peohedin)

Os custos com a compra degadono Brasil, maior exportador mundial decarne bovina, atingiram níveis recordes, encolhendo as margens dosfrigoríficos.

O preço que as indústrias processadoras pagam pelo gado ultrapassou R$ 300, alta de 10% neste ano, segundo o Cepea, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ligado à Universidade de São Paulo. Em 12 meses, o valor do boi gordo subiu 54%.

Pecuaristastêm reduzido o envio de fêmeas para abate, retendo-as para reprodução diante dos preços recordes dos bezerros. A menor oferta de animais para abate, aliada ao aumento da demanda por carne bovina naChina, tem obrigado frigoríficos a pagarem mais pelo gado.

Em 2020, o abate de bovinos doBrasilcaiu 8% em relação ao ano anterior, segundo César de Castro Alves, consultor de agronegócios doItaú BBA.

“A oferta de gado está muito apertada” e frigoríficos doMato Grosso, principal estado produtor, trabalham com suprimentos equivalentes a apenas quatro dias de processamento, quase metade do ano anterior, disse.

O aumento das despesas com gado reduz as margens das processadoras de carne, que não têm conseguido repassar integralmente os custos mais elevados aos consumidores domésticos e para clientes no exterior, disse Alves.

O custo do gado no Brasil é o mais alto da América do Sul, dando vantagem competitiva aos rivais.Nos Estados Unidos, os preços do milho na maior cotação em sete anos elevaram os custos da ração.

No Brasil, a maioria dos animais é alimentada a pasto, o que costuma ser uma vantagem em relação aos países que usam o sistema de confinamento.

A atual escassez de animais vai se transformar em maior oferta nos próximos dois a três anos, disse Lygia Pimentel, diretora-presidente da consultoria Agrifatto. “O aumento da oferta de bezerros reduzirá os preços, o que tornará menos atrativo manter as fêmeas nas pastagens.” (Bloomberg, 7/2/21)