ACM Neto: 'Desejo que Maia fique no DEM, mas decisão cabe exclusivamente a ele'

Ex-presidente da Câmara atribui ao partido derrota de Baleia Rossi, candidato apoiado por ele à sucessão da Câmara. DEM liderou lançamento da candidatura de Baleia, mas na reta final adotou neutralidade e liberou a escolha de seus deputados. Lira, candidato de Bolsonaro, foi eleito.


O presidente do DEM, ACM Neto, disse nesta quarta-feira ao “Em Foco com Andréia Sadi', na Globonews, que a decisão de ficar no DEM ou não cabe “exclusivamente' ao ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Neto rechaçou a ideia de que o DEM tenha sido responsável pela derrota do bloco de Baleia Rossi, candidato de Maia.

Nos bastidores, Maia atribui ao DEM o principal golpe na reta final da disputa pela Câmara e cogita deixar o partido.

Neto afirmou que a decisão cabe a Maia, mas deseja que ele permaneça no partido.

“A decisão de ficar ou não no DEM cabe exclusivamente a ele e eu desejo que ele continue no partido, ele tem uma história no democratas, foi líder da bancada, presidente do partido e acho que ainda tem muito a contribuir na discussão interna do democratas, na formulação das estratégia de futuro do partido. Então, se depender de mim, Rodrigo ficará no partido, agora essa é uma decisão que cabe exclusivamente a ele', disse Neto.

O ex-prefeito de Salvador também negou que o DEM tenha negociado cargos com Bolsonaro para apoiar Lira. Ele diz que o DEM não vai integrar o governo Bolsonaro de forma oficial.

“O partido tem essa postura de independência e vai preservar essa postura de independência. E independência não significa ser oposição, vou deixar claro, nós não fazemos parte da base, mas também não somos oposição ao governo (..) Outra coisa que eu tenho que registrar, de maneira muito contundente, que jamais aceitei discutir indicação de cargos, negociação de espaços, composição de governo com o presidente e nem com a sua equipe'.

Sobre 2022, Neto disse que o DEM ainda não decidiu se vai lançar candidato próprio ou se vai apoiar algum candidato, mas não descartou apoiar o presidente Bolsonaro na próxima disputa presidencial. No entanto, afirmou que essa discussão será feita ao longo de 2021.

“Não, não está descartado. Eu acabei de lhe dizer aqui que a gente ainda não abriu a discussão de 2022. [..] O que está descartado, por exemplo, o DEM não vai com nenhuma posição de radicalismo, o democratas não vai com nenhuma linha de extremismo, nós não vamos numa linha de defender uma candidatura de extrema-direita", disse.

Apesar disso, Neto ponderou sobre o que chamou de "erros" do governo nos dois primeiros anos de gestão, mas disse que a decisão sobre um possível apoio será dada em conjunto com o partido.

"Em relação ao presidente Bolsonaro nós precisamos ver como é que vai ser o desempenho do governo ao longo desse ano de 2021, se você me perguntar olhando para 19 e 20, você vai perguntar, Neto, esse é o governo? As coisas que aconteceram é o tipo ou é o perfil que você acha mais adequado? Não, não acho e já disse isso aos interlocutores do governo. Acho que eles cometeram muitos erros em 19 e 20. Fizeram alguns acertos, mas cometeram muitos erros, aí você vai e a pergunta é: o governo vai se arrumar, vão ajustar o tom, eles vão ter uma linha política diferente daquela que tiveram até agora? Eles vão ouvir, porque com a gente é muito mais difícil né. [...] Se eu lhe disser está descartado, eu estou me antecipando ao conjunto do meu partido. Então, respondendo objetivamente, não está descartado', afirmou Neto.

A entrevista completa com ACM Neto no programa “Em Foco', na Globonews, vai ao ar no domingo, a partir das 20 horas.