Em meio à pandemia, Senado elege presidente em votação presencial; saiba como será

Casa adotou uma série de medidas para tentar evitar disseminação do vírus. Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS) são os principais candidatos.

G1 / GUSTAVO GARCIA E SARA RESENDE, G1 E TV GLOBO


Em meio à pandemia de coronavírus, o Senado Federal realiza de forma presencial nesta segunda-feira (1º) a eleição que definirá o presidente da Casa para o biênio 2021-2022.

Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS) são os principais candidatos à cadeira hoje ocupada por Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Com chances mínimas de vitória, Major Olimpio (PSL-SP), Lasier Martins (Pode-RS) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) disseram que também vão disputar. Novas candidaturas ainda podem ser apresentadas.

Para ser eleito, um candidato precisa de pelo menos 41 votos. A eleição é secreta e em cédulas.

Apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, por Alcolumbre e por dez partidos, entre os quais siglas da oposição, Rodrigo Pacheco figura como favorito na disputa.

Simone Tebet foi abandonada pelo MDB, mas, como candidata independente, espera contar com o apoio de correligionários, do Podemos, do PSB, de senadores do Cidadania, do PSDB, e de dissidentes dentro de siglas já apalavradas com Pacheco.

Cronograma da eleição

A chamada "reunião preparatória" para escolha do sucessor de Alcolumbre está prevista para se iniciar às 14h. Antes, às 13h, o presidente do Senado dará a última entrevista na função. As etapas da eleição são as seguintes:

Após a abertura da reunião, poderá haver a apresentação de questões de ordem e de explicações sobre os procedimentos de votação.Alcolumbre perguntará aos presentes se há outras candidaturas, além das já apresentadas. Os partidos farão as indicações dos candidatos e dos nomes que vão participar da fiscalização e apuração dos votos.Cada postulante terá cerca de 10 minutos para discursar aos colegas.Passada essa etapa, será iniciada a votação, secreta e em cédulas de papel. Segundo a assessoria do Senado, os parlamentares serão chamados individualmente por ordem de criação dos estados (dos mais antigos aos mais novos) e, dentro de cada estado, os três senadores seguirão a ordem de idade na votação, do mais velho ao mais jovem.Após o processo, os votos serão contados e o resultado será proclamado. Caso um candidato atinja 41 votos, a eleição para a presidência do Senado está concluída. O eleito poderá, então, fazer um discurso sobre a vitória. A partir da eleição, ele passa a comandar os trabalhos.

Novo presidente

Cabe ao presidente eleito conduzir a eleição dos demais integrantes da Mesa Diretora: vice-presidentes, secretários e suplentes de secretários.

A eleição das demais funções da Mesa pode acontecer no mesmo dia ou ficar para outra data, a critério do presidente eleito.

Geralmente, essa votação ocorre em bloco com os nomes dos vice-presidentes e secretários já definidos previamente em acordo, respeitando o tamanho das bancadas partidárias.

A expectativa é que, até o fim da tarde desta segunda-feira, tudo esteja resolvido.

Medidas sanitárias

Em razão da pandemia da Covid-19, o Senado adotou uma série de medidas para evitar a disseminação do novo coronavírus durante a votação.

Ao plenário, só senadores terão acesso. Assessores não poderão acompanhar a votação no local. Cinegrafistas e fotógrafos poderão ingressar na galeria do plenário, parte de cima da sala, para fazer imagens.

Além disso, haverá, no total, quatro urnas para os senadores depositarem as cédulas. A novidade neste ano, por causa da pandemia, é a colocação de duas urnas do lado de fora do plenário: uma na Chapelaria, uma das entradas do Congresso, e outra no Salão Azul, na parte externa do plenário principal.

Também serão disponibilizados mais pontos com dispensação de álcool em gel para higiene das mãos. Na medida do possível, é recomendado aos senadores a observância do distanciamento físico.

Ao menos 27 dos 81 senadores fazem parte dos grupos de risco para a Covid-19. Em outubro do ano passado, Arolde de Oliveira (PSD-RJ) morreu, aos 83 anos, em decorrência da doença. José Maranhão (MDB-PB), que tem 87 anos, está internado em São Paulo com complicações provocadas pelo coronavírus.

A eleição anterior

A eleição deste ano promete ser mais tranquila do que a de 2019 que se iniciou em 1º de fevereiro daquele ano, mas só foi concluída no dia seguinte, um sábado.

No primeiro dia de reunião, houve uma polêmica sobre os procedimentos da votação e dúvidas sobre se Alcolumbre, que ainda não havia oficializado candidatura, poderia dirigir os trabalhos naquela reunião.

A sessão foi marcada por bate-bocas e por uma tentativa inusitada da senadora Kátia Abreu (PP-TO) de evitar o prosseguimento dos trabalhos, capturando a pasta do presidente da sessão.

O segundo dia da reunião entrou para a história por uma tentativa de fraude. Na contabilização dos votos, foram constatados 82 votos, embora a Casa tenha 81 senadores. A suposta irregularidade foi abafada e até hoje o responsável não foi identificado.

Uma nova votação foi feita, e Davi Alcolumbre saiu vencedor, colocando fim a uma hegemonia emedebista de quase duas décadas.

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