Perto dos R$ 50 mi em vendas, Flamengo se divide entre bater meta, se impor no mercado e ser competitivo

Futebol soma R$ 42 mi líquidos com Lincoln e Yuri César, e convive com cobranças e orçamento enxuto para 2021. Tostes reforça limitação internamente, mas dirigentes mantêm firmeza e fazem exigências por Ribeiro e Michael

GLOBOESPORTE.COM / CAHê MOTA


Metas de receita a bater, boas propostas na mesa, pouco dinheiro para gastar na frente e um Brasileirão para terminar às vésperas da próxima temporada.

É com base nessas situações que o Flamengo se equilibra entre o planejamento do departamento de futebol e as exigências orçamentarias na condução das negociações envolvendo Everton Ribeiro, Michael e Léo Pereira. Na reta final da janela de transferências para o exterior, o clube soma R$ 42 milhões dos R$ 50 milhões exigidos para caixa neste início de temporada.

Em reunião na Gávea no dia seguinte ao revés para o Ceará, o futuro de Rogério Ceni não foi a única pauta entre Rodolfo Landim, BAP, Marcos Braz, Bruno Spindel e conselho do futebol. O tom foi de cobrança para que a meta estabelecida para janeiro fosse cumprida, além de ser reforçado que desde setembro o clube tapa buracos para cumprir os compromissos do futebol.

Vendas do Flamengo em janeiro em reais:

Yuri César: R$ 31.2 mi (já descontado R$ 1.15 mi pagos ao Fortaleza)Lincoln: R$ 16.2 miTotal bruto: R$ 47.4 miTotal líquido: R$ 42 miMeta para janela: R$ 50 mi

Com a pandemia, uma série de receitas do Flamengo reduziu. O espaço da manga da camisa segue sem render dinheiro, o sócio-torcedor perdeu um número grande de adesões e a bilheteria teve impacto grandioso. O tão conhecido conflito entre Gávea e Ninho do Urubu ganhou novos capítulos com o cabo de guerra tendo a renovação de Diego Alves como disputa principal.

+ Everton Ribeiro deixa decisão nas mãos do Flamengo, e clube exige acordo de até R$ 65 mi por venda ao Al Nassr + Árabes oferecem R$ 8 mi à vista por empréstimo de Michael; Flamengo quer mais e aguarda fim da janela + Léo Pereira manifesta desejo de sair, Flamengo faz jogo duro e Besiktas avalia possibilidades + Flamengo encaminha venda de Yuri César para o Al Shabab, de Dubai, e atacante deixa Fortaleza + Piris da Motta e Rodinei se valorizam fora, e Flamengo mira receita para a janela do meio do ano

Neste cenário, o vice de finanças Rodrigo Tostes passou a exercer papel principal e de rigidez. Foi ele quem estabeleceu limites para as conversas com o goleiro e é quem adotou postura inflexível na maioria das pautas envolvendo receitas e despesas.

O dirigente esteve no centro, por exemplo, do imbróglio do pagamento de parcela da compra de Michael ao Goiás, previsto para a última segunda-feira. Tostes assumiu a rédea da conversa que era conduzida por Bruno Spindel, mas não entrou em contato com os goianos nem segunda, nem terça-feira. O clube esmeraldino se incomodou, ameaçou notificar o Flamengo, mas uma ligação nesta quarta resolveu a questão.

O ge não conseguiu contato com Rodrigo Tostes para comentar sobre a pauta.

Quanto o Flamengo pede nas negociações?

Everton Ribeiro: o clube recusou oferta de € 6 mi + € 2 mi de bônus do Al Nassr (EAU) e quer € 7 mi (R$ 45.8 mi) + € 3 mi (R$ 19.6) de bônus para liberar o camisa 7.Michael: o clube tem em mãos € 1.25 mi (R$ 8.1 mi) pelo empréstimo de seis meses, mas quer € 1.5 (R$ 9.8 mi) para liberar o jogador com valor de compra estipulado em € 12 mi (R$ 78.5 mi).Léo Pereira: o Flamengo recusou oferta do Besiktas pelo empréstimo por um ano e meio, e pediu € 1.5 (R$ 9.8 mi) para liberá-lo por seis meses. Os turcos disseram não, mas ainda tentam outra composição de negócio.

Com propostas numerosas dos Emirados Árabes por Ribeiro e Michael, além de procura por Léo Pereira, a Gávea e o Ninho flutuam entre a urgência por dinheiro, a valorização do ativo do clube e as obrigações na luta pelo título do Brasileirão. E as próximas 24 horas serão determinantes para que o Flamengo tenha uma noção do que projetar no item "venda de jogadores" do orçamento.

Com as vendas de Lincoln e Yuri César, a situação ficou menos emergencial, permitiu que o Flamengo fizesse exigências, mas não resolveu o problema. A meta é de R$ 50 milhões líquidos em janeiro, e o somatório com a saída dos jovens é de R$ 42 mi com os descontos pertinentes para comissão, impostos e afins (o bruto indica R$ 47.4 mi).

O orçamento do Flamengo para 2021 prevê a receita de R$ 142 milhões com venda de jogadores (R$ 50 mi na janela de janeiro e R$ 92 mi ao longo do ano). Já houve readequação nos R$ 168 milhões indicados no primeiro orçamento para o ano, avaliado em dezembro do ano passado.

O clube, por sua vez, conduz a reta final da janela com tranquilidade para não se precipitar. Sendo assim, estipulou valores e aguarda as respostas de Al Ain e Al Nassr nesta quinta-feira. Para liberar Michael, a pedida é de 1.5 mi de euros (R$ 9.8 mi) por empréstimo de seis meses, e para vender Everton Ribeiro o desejo é ter garantido 7 mi de euros (R$ 45.8 mi), além de outros 3 mi de euros variáveis por metas.

Valores que elevariam a receita com o mercado a R$ 97.6 mi neste início de ano. Com as cartas na mesa, a diretoria joga paciência com os árabes até o fim da quinta-feira. A esta altura da janela, praticamente um all in.