Análise: Inter exorciza fantasma em Gre-Nais e vive domingo perfeito na briga pelo título

Colorado arranca virada por 2 a 1 sobre o Grêmio com gols aos 44 e 52 minutos do segundo tempo e abre quatro pontos de vantagem na liderança do Brasileirão

GLOBOESPORTE.COM / EDUARDO DECONTO


As definições de "domingo perfeito" foram atualizadas. Em uma hipotética enciclopédia colorada, o verbete contaria a história deste 24 de janeiro de 2021 em que o Inter deu tudo de si e um tanto mais para vencer o Grêmio de virada por 2 a 1 no Beira-Rio, pela 32ª rodada do Brasileirão.

A vitória em um Gre-Nal, por si só, já seria emblemática. Mas ela foi bem mais do que isso. O Inter exorcizou um fantasma de 11 clássicos e mais de dois anos sem vencer o maior rival .

E o fez em uma verdadeira epopeia vivida em 103 minutos de um roteiro que soa exagerado até para produções hollywoodianas. A equipe de Abel Braga fazia uma partida instável e perdia o clássico 429 até os 44 do segundo tempo. Mas venceu por 2 a 1, com gols de Abel Hernández e Edenílson.

O domingo perfeito colorado também vai além dos limites do Beira-Rio e ecoa nos demais resultados da 32ª rodada do Brasileirão. Todos os rivais diretos na briga pelo título do Brasileirão tropeçaram.

E o Inter disparou: hoje é líder isolado da competição com 62 pontos, quatro a mais que o vice-líder, São Paulo.

> O domingo perfeito do Inter:

Fim do jejum de 11 clássicos sem vencer o GrêmioChegou a oito vitórias seguidas no BrasileirãoTodos os rivais do topo da tabela tropeçaram na rodadaAbriu quatro pontos de vantagem na liderança

Para conquistar tudo isso, o Inter precisou sofrer e se superar em um Gre-Nal no qual "não fez um grande jogo", nas palavras de Abel Braga. O treinador repetiu um time sem surpresas no 4-1-4-1 já habitual, apenas com Peglow na vaga do suspenso Caio Vidal.

Do outro lado, o Grêmio entrou no 4-2-3-1 que é marca registrada dos quatro anos com Renato Portaluppi e "espelhou" o Inter em campo. Os dois rivais tiveram posturas semelhantes: se postaram mais recuados para fechar espaços e "amarrar" um o jogo do outro. Cada um em sua característica.

O Inter fazia um jogo mais direto e combativo, com intensidade nas transições ao ataque e à defesa. O Grêmio manteve o seu estilo de valorização de posse de bola, mas com lentidão nas trocas de passe e também ao tentar contra-ataques.

Não à toa, o primeiro tempo foi de superioridade colorada. Bem protegido, o Inter não correu risco algum e conseguiu fazer valer suas virtudes para levar perigo. A equipe atacava sempre pelo lado esquerdo, com Patrick, Moisés e Praxedes.

Usou bem os espaços deixados pelo Grêmio na retomada da bola para apostar na velocidade dos pontas e de Yuri Alberto em transições rápidas e até na ligação direta. Foram quatro chances de gol. Na melhor delas, o centroavante parou na trave.

Veio o segundo tempo, e Abel mudou um pouco a forma de o Inter jogar. O treinador adiantou um as linhas da equipe para pressionar o Grêmio e parar de correr atrás na marcação.

O início foi promissor. Peglow teve uma chance na cara de Vanderlei, mas mandou para fora. E a partir daí o Grêmio tomou conta do jogo. O Tricolor acelerou as ações e encontrou um Inter mais exposto defensivamente. Passou a dominar o jogo.

Diego Souza teve duas chances em contra-ataques antes de Lucas Ribeiro errar na saída de bola, com todo o time no campo de ataque. Diogo Barbosa fez a jogada concluída por Jean Pyerre para abrir o placar.

O Inter se desestabilizou com o gol sofrido aos 30 minutos e passou a pressionar de forma desorganizada. Abel já havia mandado Mauricio a campo e optou por Abel Hernández e Marcos Guilherme nas vagas de Praxedes e Patrick.

Dava início ao "plano B" para explorar bastante a bola aérea. Parecia desespero - e era -, mas o técnico havia ensaiado este tipo de estratégia para os minutos finais nos treinamentos. Deu certo.

O uruguaio fez de cabeça o gol de empate. E novo cruzamento deu origem ao polêmico pênalti convertido por Edenílson. Era o gol que soterrava os dois anos sob a sombra da hegemonia do rival.

Instantes após o extravaso pelo gol, o apito árbitro Luiz Flávio de Oliveira soou uma última vez, definitiva. Decretou o fim do clássico 429 e o início de uma nova festa, com ares de título por tudo o que a vitória deste domingo simboliza (veja no vídeo acima).

Mas esta festa - a do título - ainda depende das outras seis rodadas que vêm pela frente. O certo é que o Inter segue líder e seguirá líder por ao menos mais uma rodada. E que o fantasma dos Gre-Nais está exorcizado, enfim.

O Inter lidera o Brasileirão com 62 pontos, quatro de vantagem para o vice-líder São Paulo. O Colorado volta a campo apenas no próximo domingo, às 18h15, quando enfrenta o Bragantino no Beira-Rio, pela 33ª rodada. A segunda-feira será de folga merecida.

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